Futebol no mundo


Dunga: o homem certo?

Definitivamente, não. Claro que a respeito do alemão Klinsman, o capitão do Tetra pode provar que eu estou errado, porém se tratando do cargo de técnico da seleção, eu acredito que a experiência sempre vai superar a juventude, afinal o campeão mundial foi o veterano Marcelo Lippi com sua vasta coleção de scudettos no futebol italiano. Além disso, o Brasil sempre joga para ser campeão e para isso creio que nomes como Luxemburgo e Autuori seriam mais coerentes.

Vejo uma certa influência do futebol europeu nos dirigentes da CBF, afinal seleções como a Alemanha já citada e a Holanda apostaram em ex-jogadores sem experiência como treinadores. Só que o Brasil sempre andou na contra-mão dos europeus e isso que nos torna tão diferentes. Enquanto eles jogam no 3-5-2 nós jogamos no 4-4-2, enquanto eles priorizam o físico, nós priorizamos a técnica e por aí vai.

Não apenas eu, mas acredito que muitos de vocês já começam a estabelecer comparações entre a escolha de Dunga e a de Falcão em 1990, antes mesmo do início de uma nova jornada. São situações semelhantes, após uma Copa perdida com uma seleção sem brilho e apática, se aposta em um técnico jovem e consagrado como jogador que tem a obrigação de estabelecer no time uma renovação milagrosa. Não quero rogar pragas, mas vejo um roteiro com o mesmo final apesar dos personagens serem diferentes.

O que me deixa preocupado é que desde que o futebol deixou de ser apenas um esporte para se tornar um negócio que movimenta milhões, os interesses do patrocinador às vezes se confrontam com os interesses do time. Caso uma convocação deixe de fora um jogador como o Ronaldinho Gaúcho, por exemplo, será que nosso patrocinador não vai exercer nenhum tipo de pressão pela permanência de seu prodígio entre os titulares. Além disso, a CBF marca seus amistosos caça-níqueis pelo mundo e é fato que alguns adversários exigem a presença de jogador x ou y em troca de um gordo cachê nos cofres da nossa ilustre confederação. Questiono-me se Dunga saberá lidar com esses fatores extra-campo e principalmente, se terá apoio irrestrito da comissão técnica para que possa renovar a equipe à sua imagem e semelhança sem se render a nomes consagrados; como fez Felipão em 2002 ao bater de frente com todos e bancar a não-convocação de Romário.

Caso ele seja visto como um divisor de águas solitário que fará o Brasil jogar um futebol circense no aspecto técnico aliado a uma rigidez militar no aspecto tático, provavelmente colecionará insucessos. Porém se for encarado como um dos responsáveis por uma renovação mais do que necessária, talvez obtenha êxito, contanto que tenha o apoio de uma comissão técnica competente e profissional, o que ainda não saberemos se acontecerá. Resta saber a cargo de quem ficará a responsabilidade das divisões de base e se o comando será centralizado em um único treinador ou se permanecerá o modelo de um treinador por categoria.

Antes que se inicie o bombardeio de críticas ou elogios ao novo comandante, deixo aqui o meu recado. Acredito por fim, que o principal é se ter uma seleção brasileira de fato e não uma seleção nascida no Brasil como vimos na última Copa. Se abrirmos mão de alguns nomes que jogam na Europa a cifras milionárias e falam português com sotaque alemão e espanhol e buscarmos jogadores com uma maior identificação com a nossa realidade de estádios precários, brigas de torcida, dirigentes amadores e salários atrasados, certamente poderemos resgatar pelo menos um pouco do tão sonhado e quase utópico conceito de amor à camisa canarinho.

Afinal o jogador brasileiro deve ter uma afinidade com seus companheiros maior que tem com seus adversários. Respeitar um algoz é justo, mas idolatrá-lo é inaceitável.

 

Escrito por Carlos Rodrigues.

 

 

 

 

 

 



 Escrito por Moderador às 20h26 [] [envie esta mensagem]




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